UMA VEZ POR SEMANA
Rapidinha Da MANHÃ Dada Por O DA ESQUERDA
A “ESTIMULANTE” TRANSFERÊNCIA DA CIC
Lembro-me de haver uma feira comercial e industrial no lugar onde hoje há um pavilhão multiusos, uma piscina olímpica e a parte da frente de um centro comercial. Desde já, admito que qualquer das coisas é melhor de que ter a estátua de um soldado com um pretinho às costas. Até o centro comercial é melhor, mesmo que os meus congéneres do Bloco de Esquerda não o reconheçam.
Mas o meu propósito era falar da feira. Era uma animação! Eu era novo e aquilo marcou-me tanto que levei anos a perceber o que era uma feira comercial e industrial a sério e para que efeito se realizava, uma vez que o meu modelo era uma espécie de feira popular com menos farturas, menos bifanas, menos pó, sem carrinhos de choque, mas com panelas especiais para fazer sopa normal e entrega gratuita de esferográficas e t-shirts de reclame, com variadas procedências.
Mas enfim…
Ainda assim, justo será dizer que aquela época de Junho era uma agitação por toda a Solum e a cidade mobilizava-se em ambiente de romaria. Ia-se à CIC como se ia à Feira Popular, ao Espírito Santo ou à procissão da Rainha Santa, ou se ia assistir, em pleno rio, antes do açude construído, ao fogo de artifício das festas da cidade.
Essa CIC acabou e transferiu-se para Cantanhede, como se sabe, e admito que muito bem. E julguei eu, assim que a transferência se tornou notória, que haveria alguma outra forma mais adequada de mostrar aos conimbricenses de que material era feita a cidade. Uma cidade que tem monumentos ímpares e marcantes na História de Portugal, um sector da saúde de nível muito elevado, uma oferta de educação e ciência muito superior à sua própria dimensão e um sector de serviços que se deveria ter assegurado com pujança, mas que se tem perdido no lamaçal político local, regional e nacional.
Mas em vez disso, porfiou a ACIC, julgo eu, na velha feira todos os anos comparada (e derrotada) à sua congénere de Cantanhede. E o que poderia ter sido uma estimulante oportunidade transformou-se numa horrível decadência.
E os jornais continuam a fazer suplementos da CIC para ver se encaixam algum. E a ACIC tem ali uma fonte de receita e quer que ela perdure, mesmo que o estado seja de agonia. E a diferença, de há 30 anos para cá, é a decadência, a cada vez mais notória falta de capacidade de empreender, a cada vez mais óbvia incapacidade para gerar ideias.
O da Esquerda Dá uma todas as segundas.